Thereza Langioni, Terezina, Dona Thereza, Vó Thereza, Bisa, Mãe, Tia Therezinha, assim é chamada pelos filhos, netos, bisnetos, sobrinhos e pelos muitos conhecidos com quem convive em Califórnia,PR e região.

Elaine Mara Cunha, que é neta da aniversariante e professora, contou-nos um pouco sobre a história da sua avó.

Dona Thereza conquistou uma grande admiração e respeito de todos que a cercam, por ser uma mulher simples, de grande sabedoria e que soube viver a sua vida de maneira, profunda, autêntica e rara.

Hoje, 2 de Junho de 2020, chega aos 101 anos, onde o milagre está na renovação de cada ano e em começar tudo outra vez, com novos sonhos e expectativas, enfrentando cada dia com disposição a todos os desafios. Acima de tudo, agradecendo a Deus pela sua existência, juntando todas as bênçãos e o carinho da família e dos amigos.

Thereza Langioni nasceu no dia 02 de junho de 1919, na cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Filha de João Langioni e Lúcia,seus pais vieram para o Brasil em um navio, oriundos da cidade da Calábria, na Itália. O propósito era tentar a vida em nosso país, como fizeram muitos imigrantes europeus.

Dona Thereza conta que seu pai João teve 12 filhos, sendo 6 homens e 6 mulheres: Pedro, Augusto, Angelo, Pacífico, Luis, Antonio, Ana, Maria, Rosa, Alaide, Amélia e  ela, a filha caçula.

Com 03 anos de idade a família mudou-se para a cidade Ibirã, no interior do estado paulista. Ela conta que gostava muito daquela cidade e que, mesmo sendo pequena, era muito bonita.

Sua família toda trabalhava na lavoura de café. Muito cedo aprendeu com sua mãe a preparar o pão de cada dia. Levantava de madrugada para ajudá-la.

Ainda muito jovem conheceu aquele que viria a ser seu marido, João Pazini. Aos 18 anos casou-se com ele que foi o seu primeiro e único namorado, ao qual chamava carinhosamente de Joanin.

João Pazini também era de origem italiana e seus pais, José Pazini e Angela Pazini, teriam vindo da Itália de navio.

Dona Thereza teve 8 filhos: Bruno Pazini, Mauro Pazini, Iracema Pazini, Gerson Pazini e Maria Aparecida Pazini, que nasceram no estado de São Paulo.

Quando mudou-se para a Califórnia, no Paraná, teve mais 3 filhos: Jair Pazini, Neuza Pazini e Hélio Pazini.

Os filhos fizeram questão, com todo o cuidado em função da Covid-19, de visitar a mãe e fazer o registro deste momento único. Neusa, Iracema, Gerson, Bruno, Hélio e Jair registraram a imagem ao lado da mãe.

Ela conta que a vida não foi muito fácil. Sempre trabalhou na lavoura, teve que aprender outros ofícios, mesmo não sabendo ler e escrever.

Thereza conta que sua sogra Angela, certo dia lhe trouxe alguns tecidos e disse: Toma, vá e costure para teus filhos. Ela não sabia costurar, mas diz que pegou o tecido, passou a tesoura e já começou a fazer uma camisa. Fez depois uma calça, usando outra como modelo.

E assim D. Thereza passou a costurar, sem parar. A família diz que a vó Thereza “passa a tesoura nas roupas” sem pensar muito.

Sempre gostou de festa e recorda com saudades do tempo dos bailes nas tulhas. Lembra da sanfona, do cavaquinho e da boa viola que alegrava o povo todo da colônia.

Quando era moça a sua mãe não a deixava ir aos bailes. Somente depois que se casou, passou a frequentá-los nas colônias em Araxãs,SP. Sua avó, a nona Angela Bayer, é quem segurava seus filhos para que ela dançasse. Mas, seu marido Joanin não gostava de dançar, então, acabava dançando com os amigos e parentes da colônia.

Em Califórnia, morou grande parte de sua vida no bairro da Varginha. Sua casa era de madeira, onde os hábitos e costumes eram muito diferentes dos dias de hoje. Não havia luz elétrica e a lamparina a noite era muito usada. Buscava água na mina, carregando uma lata d’ água em cima da cabeça com perfeito equilíbrio. Todos da família tomavam banho de bacia, que ficava atrás da porta de seu quarto.

Lavava toda roupa da família numa tábua que ficava ao lado da mina de água.

Trazia também grandes feixes de lenha na cabeça para acender o fogão a lenha. Usava as brasas do fogão que sobravam no seu ferro, para passar as roupas e com as cinzas lavava o chão da casa.

Os colchões das camas eram de palha. Também havia um rádio na sala que ficava ligado, grande parte do dia, onde se podia ouvir as novelas de rádio e uma boa música caipira.

Cuidava dos afazeres da casa e sempre achava um tempo para costurar, criar galinhas e ajudar também na lavoura de café, milho, dentre outros.

Sempre que podia, reunia os filhos e netos para fazer a tradicional “PAMONHA DA VÓ THEREZA”.

Sua comida preferida é uma boa macarronada. Mas um frango caipira e uma pizza também são sempre bem-vindos.

Gosta muito de fazer pudim, e não admite que falte esse prato especial nas suas festas de aniversário.

Foi casada com João Pazini por 67 anos e com ele teve 8 filhos, estes lhe deram 28 netos, 37 bisnetos e 4 tataranetos.

Dona Thereza Langioni é uma pessoa querida e muito agradável, sempre cercada de todos os seus parentes o quais, em qualquer momento estão prontos para uma festa.

Dona Thereza reside hoje em uma casa na Rua Ozório Ribas do Prado, próximo ao Bosque de Califórnia, acompanhada do seu filho Jair.

 

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