Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay

A rede laboratorial pública que faz o mapeamento do novo coronavírus no Paraná ganhou um reforço importante nesta semana com o início das testagens no laboratório do Hospital Universitário de Londrina, na região Norte. Foi o 17º laboratório, entre públicos e privados, inserido na rede da Secretaria da Saúde desde o começo da pandemia. Essa estratégia ajuda a traçar um panorama cada vez mais fiel do número de casos de Covid-19 no Estado.

A expectativa é alcançar 12 mil exames RT-PCR em Londrina nesta primeira etapa, já nas próximas semanas, mas o laboratório quer operar de maneira ininterrupta para pacientes da região, a depender da aquisição dos reagentes necessários para a realização dos testes. Esse é o exame mais completo para detectar a doença, chamado de padrão gold ou teste molecular, feito a partir de material coletado na garganta e no nariz dos pacientes com auxílio de uma haste parecida com um cotonete.

O credenciamento é organizado a partir do Laboratório Central do Estado (Lacen-PR), em São José dos Pinhais. A unidade é referência no Paraná e tem capacidade para identificar 21 vírus respiratórios de uma só vez. Até meados de março, todos os diagnósticos passavam por validação no laboratório, mas a nova metodologia, elaborada a partir de um decreto do governador Carlos Massa Ratinho Junior, permitiu a criação de uma cadeia de mapeamento por todo o Estado.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, além da estrutura montada em Londrina, outros 16 laboratórios da rede pública (municipal/estadual/federal) e privada já estão credenciados: Dasa, Genoprimer, Fleury, Hermes Pardini, Sabin, Unimed Curitiba, Diagnósticos do Brasil, Rede D’Or, Laboratório Núcleo Diagnóstico, Hospital Ministro Costa Cavalcanti, Hospital Municipal Germano Lauck, Hospital Pequeno Príncipe, Laboratório do Complexo do Hospital das Clínicas (UFPR), Dolab Laboratório de Análises e Pesquisas Clínicas, Precision Medicine e Unidade de Apoio para Diagnóstico da Covid-19.

A Unidade de Apoio foi uma adição fundamental a essa rede e conta com colaboração do Lacen-PR. A estrutura, localizada em Curitiba, é fruto de uma parceria entre Fiocruz, Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Os primeiros diagnósticos positivos originados nessa unidade foram incluídos no boletim de 24 de abril, mas esta semana marca o início de um programa de testagem em massa. A previsão é de 5 mil novos testes apenas até o próximo domingo (também do método RT-PCR) e 5,6 mil por dia quando a operação estiver completa.

Os reagentes e os kits já começaram a ser distribuídos aos 399 municípios pela Secretaria de Saúde. A unidade será referência para toda a região Sul e aumentará o número de testes na rede pública em até 830%.

Completam a rede os laboratórios que não precisam passar por processo de credenciamento porque já fazem parte da estratégia nacional de enfrentamento da Covid-19. Ou seja, exames realizados por paranaenses nos laboratórios centrais de outros estados ou nas instituições federais (Instituto Evandro Chagas e Fiocruz) também integram o boletim epidemiológico do Estado.

IMPORTÂNCIA – O aumento paulatino dessa rede permite diagnóstico rápido e ação mais eficaz dos médicos que estão na linha de frente, mapeamento mais fiel da circulação do vírus no Paraná e possibilidade de adoção de novas políticas públicas, como aumento do isolamento social e reforços pontuais na rede hospitalar.

“Desde o começo essa foi uma estratégia fundamental. A testagem em massa nos dá uma radiografia importante para tomar decisões. Conseguimos estruturar essa rede em pouco tempo e somos um dos estados com maior volume de testes”, explicou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Ele ressaltou que as aeronaves do Governo do Estado foram colocadas à disposição desde o início de março para ajudar na logística do transporte das amostras de cidades do Interior até o Lacen – já foram coletadas 6.486 amostras nesse sistema em 337 horas de voo, ou 14 dias ininterruptos.

Essa estratégia de testagem ampla é parte do planejamento da Secretaria da Saúde de levar mais segurança aos paranaenses. “Os municípios receberam 230 mil testes rápidos nas últimas semanas, temos toda a rede integrada de laboratórios e a nova unidade no campus do Tecpar para atender a demanda do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. Estamos respondendo a essa crise com planejamento, responsabilidade e ação”, disse o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

No Paraná, os testes são direcionados a pacientes e profissionais da saúde e segurança pública. A Copel aportou R$ 5 milhões na semana passada para ajudar o Governo do Estado na compra de novos testes. Serão 200 mil novos kits de coleta para RT-PCR.

EVOLUÇÃO – Apenas quatro laboratórios realizavam o teste para diagnóstico do coronavírus no começo da pandemia no País: a Fiocruz, no Rio de Janeiro; o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará; o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo; e o Laboratório Central de Goiás, que foi capacitado para fazer o exame específico para coronavírus dos brasileiros repatriados da China que ficaram na base aérea de Anápolis. Gradativamente os laboratórios centrais de todos os estados passaram a receber kits para os exames.

A referência paranaense para diagnóstico sempre foi o Lacen-PR. O número de testes no instituto cresceu dia a dia com a chegada de mais kits e de bolsistas contratados pelo Governo do Estado, e hoje opera com velocidade máxima e 600 análises por dia. A manipulação pelo laboratório é considerada a mais completa do Paraná e permite a identificação de 21 vírus de uma só vez. Foram 21,3 mil exames no local em menos de três meses.

O decreto 4.261/2020, publicado pelo governador em 18 de março, ajudou a ampliar a testagem em nível estadual com a mudança de metodologia permitida pelo Ministério da Saúde. O texto normatizou o cadastramento dos laboratórios no Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab). Uma vez habilitado, ele se compromete com o Estado a informar diariamente ao Centro de Informações Estratégicas e Respostas de Vigilância em Saúde (CIEVS) os dados dos exames, inclusive dos casos suspeitos. Amostras de casos graves e ocorrências de óbitos são enviadas ao Lacen imediatamente.

O credenciamento engloba critérios sanitários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); comprovar a existência, no laboratório, de biologista molecular com experiência mínima de um ano na realização de testes baseados em RT-PCR; informar o Lacen sobre a metodologia de detecção do Covid-19; possuir Laboratório de Contenção NB2 para manipulação de amostras e disponibilidade de EPIs adequados a este nível de contenção; e enviar ao Lacen amostras com resultado detectável, em quantidade e volume determinados pela equipe técnica, para verificação de desempenho do teste.

Pouco tempo depois do decreto, no dia 23 de março, quatro laboratórios privados já ajudavam o Paraná nos diagnósticos: Genoprimer, Unimed, Sabin e Dasa. Em 2 de abril eram oito: além dos quatro primeiros, Hermes Pardini, Fleury, Rede D’Or e o laboratório do Hospital das Clínicas do Paraná.

O primeiro boletim epidemiológico que incluiu o detalhamento dos diagnósticos por laboratórios foi publicado em 17 de abril. No dia 1º de maio já eram 10 laboratórios com casos positivados no Paraná. No dia 10, 14. Nesta segunda-feira (18), 16 dos 17 credenciados pela Secretaria da Saúde já apareciam no boletim.

(Agência de Notícias do Paraná)

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