Um garoto de 14 anos, natural da Costa do Marfim, África, se escondeu no trem de pouso de um avião da Companhia Air France, com destino a Paris.

Laurent Barthélémy Ani Guibahi com certeza desejava chegar à capital francesa de maneira econômica, mas foi encontrado morto quando o avião, um Boeing 777,  pousou no aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa.

No dia 6 de Janeiro o menino não apareceu na escola onde estudava. A noite, também não apareceu em casa.

No liceu Simone Gbagbo, onde estudam sete mil alunos, uma homenagem à Laurent foi realizada – Foto: Sia Kambou/AFP

Professores e familiares do garoto produziram e distribuíram cartazes com uma foto e dados seus, falando do seu desaparecimento e os telefones de contato para quem o encontrasse.

Dois dias depois, todos foram surpreendidos com a notícia de que o menino fora encontrado na França, morto em um trem de pouso de um avião.

O corpo do garoto estava a cinco mil quilômetros de Abidjan, onde morava. Os pais diziam que era impossível acreditar que isto teria acontecido.

Câmeras de segurança mostraram que o menino teria entrado no trem de pouso, mas isto, só foi visto depois.

Laurent caminhou por 30 quilômetros da sua casa até o aeroporto de Abidjan. Depois conseguiu vencer um muro  com arame farpado que cerca o local. O menino se escondeu em arbustos durante horas, até que conseguiu despistar os trabalhadores da pista e entrar no trem de pouso do avião. A aeronave saiu de Abidjan às 22h55 e no dia seguinte, ao chegar a Paris, a Air France confirmou que um corpo sem vida teria voado clandestinamente no trem de pouso.

Como não tinha documentos para comprovar a sua identidade, o corpo foi levado para o IML de Paris. Informações dão conta que a “causa mortis” foi asfixia e hipotermia.

Nas altitudes em que costumam voar as aeronaves da Air France, cerca de 9 a 10 mil pés, as temperaturas chegam a -50C.

Por não serem aquecidos e nem pressurizados, o frio e a falta e o ar dessas altitudes, matou o garoto.

O menino tinha um sonho

Um amigo da família contou que Laurente tinha um sonho de viver na Europa.

Volta e meia o garoto falava de países como França, Alemanha e Espanha. Da França ele sempre se referia à Torre Eiffel.

Ele tinha um sonho. Ser um cientista.

Um dos professores da escola onde estudava disse que “ele era um aluno comportado, não se envolvia em brigas e em nada de ruim na escola”

Professor dá aula em escola na Costa do Marfim onde estudava menino morto ao tentar chegar clandestinamente à França — Foto: Sia Kambou/AFP
A Escola onde o garoto estudava na Costa do Marfim — Foto: Sia Kambou/AFP

No liceu Simone Gbagbo, onde estudam sete mil alunos, uma homenagem à Laurent foi realizada. O inspetor da escola falou e deixou uma mensagem tentando esclarecer que não há necessidade de tamanha loucura:

“A felicidade não está sempre longe daqui. A felicidade também pode estar aqui”.

A história de Laurent Barthélémy Ani Guibahi não é a primeira na Costa do Marfim. Todos os anos milhares de jovens tentam chegar clandestinamente à Europa. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a maioria deles tem entre 14 e 24 anos.

Informações: G1

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